FRONTISPÍCIO DAS ARTES

A arte começa onde a imitação acaba. Oscar Wilde

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

FESTAS POPULARES EM MOGI DAS CRUZES

A Festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes Tem mais de 300 anos, acreditasse que ela foi trazida para a cidade pelos tropeiros que se hospedavam nos arredores da antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, um importante nucleo onde os escravos africanos se concentravam e foram eles que mantiveram por muito tempo esse importante manifesto da arte popular brasileira. A Nossa Senhora do Rosário não existe mais ela foi demolida a partir da década de 1950, por apresentar rachaduras nas paredes, mas a Festa do Divino Espírito Santo continua e tem crescido a cada edição, ela é tão importante que quase todos os grupos que trabalham com arte popular na cidade estão de alguma fora vinculados a festa, como os grupos de congada, marujadas, grupos de folia de reis, os bonecos gigantes, e o mais novo deles grupo de Carimbó Jabutícaqui.


Em meados de 1840-1850 o artista plástico Miguel Dutra andou pelo então Sertão de São Paulo Retratando em aquarela algumas paisagens que poderiam futuramente virar pintura, estão entre elas a obra aquarela sobre papel de 24x35cm, que leva como título, Festa do Divino Espírito Santo. A obra retrata a festa como ela ainda é hoje, com um grupo de músicos, os festeiros com a bandeira do divino e um carro de boi enfeitado com as cores da bandeira. O Artista é citado no livro Memória de Mogi das Cruzes do Historiador Isaac Grimberg, um dos primeiros artistas a retratar a imagem da cidade de Mogi das Cruzes no século XIX.


São 15 dias de festas com missa. As Alvoradas, quando os festeiros caminham em procissão pelo centro histórico de Mogi das Cruzes com lanternas, lembrando o tempo do Barão de Jaceguai da Dona Iaiá e Coronel Almeida, são feitas várias missas, que lotam as igrejas, pois tem música e depois da missa todos vão para o CIP, onde é montada uma Feira do Divino, onde é vendido doces de abóbora, coco, mamão e batata doce, feitos pelas comunidades dos bairros e o típico Afogado, uma sopa de Batata com carne bovina.


Os artistas plásticos não poderiam ficar de fora do evento, todo ano é montado uma tenda no CIP onde é exibida a mostra Denerjâno Tavares de Lyra, que em 2011 chegou a 18ª Edição. A mostra é formada por um quadro de cada artista com o tema da Festa do Divino Espírito Santo, a artista plástica Wilma Ramos, uma das mais importantes pintoras naïfs do Brasil, participou por muitos anos da mostra, pois a Festa do Divino era um de seus temas preferido e até mesmo o artista plástico Nerival Rodrigues retrata pontos turísticos do Centro Histórico com a festa do Divino Espírito Santo, ele chegou até mesmo a fazer cartões postais com o tema.


O ponto alto da Festa do Divino é a Entrada dos Palmitos, uma grande procissão pelas ruas do centro histórico de Mogi das Cruzes, que no passado era enfeitada com folhas de palmito, participam da entrada dos palmitos os grupos de congada, marujada, folia de reis, Moçambique, bonecos gigantes, cavalgadas, cortejo de carro de Bois, a tropa da polícia militar, a tradicional Banda Santa Cecília, os festeiros com suas Bandeiras do Divino Espírito Santo, grupos escolares e grupos de música popular.
Atualmente a população se organizou e formou a Associação Pró Festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes, para melhor organizar o evento, pois a tendência é crescer cada vez mais.


Existe um projeto de criação do Museu do Divino Espírito Santo, que é ponto Municipal de Cultura, esse museu ainda não está com as portas abertas, está em formação e a população espera ansiosamente pela abertura do museu.
Em 2010, ocasião em que Mogi das Cruzes completou 450 anos foi feita uma votação com a população da cidade para escolher as sete maravilhas de Mogi das Cruzes e uma delas foi a Festa do Divino Espírito Santo.


Os Grupos de Congadas


Não se sabe ao certo quando esses grupos surgiram, mas podemos concluir que são tão antigos quanto a própria Festa Do Divino Espírito Santo. Em 1936 Mário de Andrade passou pela cidade de Mogi das Cruzes, em uma missão de pesquisa do folclore no Estado de São Paulo e acompanhou um grupo de Congada chamado Nossa Senhora da Conceição e grupos de Cavalhada ,que se concentraram nos arredores do atual Centro Carmo, na praça que hoje se chama Largo Bom Jesus. Esse material de pesquisa está no Centro Cultural Dona Mariquinha no Centro Carmo em Mogi das Cruzes.
Na década de 1940 o festeiro Chico Preto Cria um grupo de Congada que existe até hoje, de lá para cá surgiram novos grupos, como o de Nossa Senhora Aparecida e São Benedito. Em Agosto Secretaria Municipal de Cultura de Mogi das Cruzes promove o festival de arte popular, evento no qual muitos grupos populares se reúnem confraternizando entre si e com a população.
Atualmente os grupos de Congada, Moçambique, Folia de Reis e Marujadas formaram uma Associação Nacional das Congadas, marujadas e Moçambique para pesquisa e defesa das tradições populares e viraram ponto municipal de cultura, ainda sem uma sede, eles ainda se encontram nos núcleos dos bairros do Botujurú, Vila Natal,Brás Cubas, Santo Ângelo, Vila Municipal e Jardim Ivete e se encontram em Agosto no Festival de arte Popular e Na festa do Divino Espírito Santo, que ocorre 40 dias após a páscoa.


Os bonecos Gigantes de Mogi das Cruzes.


Já são quase 20 anos que o município conta com a produção dos famosos bonecos Gigantes, que até participam da Festa do Divino Espírito Santo, na Entrada dos Palmitos, destacamos os trabalhos dos pontos de Cultura Estação de Sabaúna e do Grupo Zapt, no Centro de Mogi.


Os famosos Bonecos Gigantes de Sabaúna.


Em Sabaúna os bonecos são feitos pela artista plástica Marineis Dias e são muito tradicionais. A Estação de Sabaúna é um ponto municipal de Cultura, por ficar muito distante do Centro Histórico de Mogi das Cruzes, a manifestação mais importante de Sabaúna é o desfile dos Bonecos Gigantes no Carnaval, que lembra o carnaval de São Luiz de Paraitinga.


A Dança Cigana


O grupo de dança Cigana Filhos do Fogo Surgiu nos anos de 1990, e tem como lider a professora Yohanna, o grupo tem participado de eventos da comnidade cigana em São Paulo, como a tradicional Festa Cigana da Família Esbano, já se apresentou em festas dedicadas a Santa Sahra Kalli no Bairro do Brás, em Mauá, em Embú das Artes, São Tomé das Letras, Suzano, Poá e atua principalmente em Mogi das Cruzes. Um dos eventos mais importantes que Yohanna participou foi a 2ª Bienal do Alto Tietê em 2004, onde ela representou um pouco da cultura Cigana da região.


O Carnaval de Mogi das Cruzes.


Não é apenas com os bonecos gigantes que o mogiano pula o carnaval, existem várias escolas de samba no município, mas uma delas se destaca, a Escola de Samba da Vila da Prata, que também é um ponto de cultura.
A Escola de Samba Vila da Prata existe a seis anos, e é uma das mais importantes da região, ela é ponto de cultura e tem um forte impácto social na comunidade onde atua. Para começar a escola oferece cursos de fabricação de penas artificiais, e materiais para elaboração de fantasias, que são voltados para a indústria do carnaval, o curso oferece aos jovens da propria comunidade uma oportunidade de um primeiro emprego e uma fonte de renda. São oferecidos cursos para formação da bateria mirim e de aulas de dança de salão voltados para a terceira idade.
O material produzido pela escola, abastece os atelies de outras escolas do município e os cursos são frequentados até mesmo por integrantes de outras escolas de samba.



Mogi das Cruze,01 de Setembro de 2011



Texto de Enzo Ferrara

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